Doença de Graves: sintomas, diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo
A doença de Graves é uma condição autoimune que afeta a glândula tireoide. Ela faz com que a glândula aumente a produção hormonal, causando hipertireoidismo e todos os sintomas relacionados à essa condição. Entenda o que é essa condição, como ela é tratada e mais informações relevantes para quem tem esse diagnóstico.
Doença de Graves: o que é e por que acontece
A doença de Graves é uma condição autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico, responsável por defender o corpo, gera anticorpos que ativam de forma exagerada o receptor de TSH na tireoide. Esse hormônio produzido pela glândula pituitária regula a produção de T3 e T4 pela tireoide – e, com o receptor de TSH ativado erroneamente, esses hormônios são liberados em grandes quantidades.
O organismo precisa que seus sistemas funcionem em harmonia. Hormônios “comandam” uma série de funções no corpo, e quando há aumento excessivo nos níveis de T3 e T4, essas funções sofrem alterações. Esse desbalanço acelera o metabolismo, provocando sintomas como palpitações, olhos saltados, tremores e mais.
É importante frisar que a doença de Graves não é o mesmo que hipertireoidismo, mas sim uma das possíveis causas dessa condição. Ela acontece mais frequentemente em mulheres, geralmente na faixa etária dos 20 aos 60 anos de idade. Suas causas envolvem, na maior parte dos casos, predisposição genética, mas fatores ambientais como estresse, infecções, exposição a iodo ou tabagismo também podem influenciar seu surgimento.
Sintomas de Graves
Como essa doença causa hipertireoidismo, os sintomas dela são justamente o efeito dessa condição no corpo. Sendo assim, é possível citar:
- Tremores;
- Perda de peso mesmo sem redução do apetite;
- Cansaço excessivo;
- Insônia;
- Diarreia;
- Alterações menstruais;
- Olhos saltados (orbitopatia de Graves).
Diagnóstico de doença de Graves
Médicos geralmente fazem o diagnóstico dessa doença a partir da investigação de sintomas. O endocrinologista, especialista que examina a tireoide, realiza exames de sangue para checar os níveis de T3, T4 e TSH. Quando o exame detecta os anticorpos TRAb, responsáveis por ativar erroneamente os receptores de TSH e causar o hipertireoidismo, é possível fechar o diagnóstico de Graves.
A suspeita de que não se trata apenas de hipertireoidismo, no entanto, pode vir antes mesmo dos exames. Isso porque os olhos saltados são uma característica muito específica da doença de Graves – e, quando ele faz parte do quadro de sintomas listado, é comum suspeitar dessa condição.
Tratamento para doença de Graves
O tratamento dessa doença tem como objetivo normalizar os níveis hormonais, aliviando assim os sintomas. As principais abordagens envolvem medicamentos, mas também pode ser necessário realizar uma terapia com iodo radioativo ou a remoção cirurgia da tireoide caso a primeira linha de tratamento não funcione.
O médico endocrinologista tende a apostar, por exemplo, em drogas antitireoidianas. Esses remédios, como metimazol e propiltiouracil, reduzem a produção de T3 e T4, normalizando os níveis hormonais apesar do incentivo exagerado dos receptores de TSH. Quando o tratamento é adequado, 30% a 70% dos pacientes alcançam a remissão da doença em um período de seis meses a um ano.
Além disso, medicamentos como betabloqueadores também podem beneficiar pacientes com Graves. Esses remédios têm como função controlar sintomas como taquicardia e tremores até o tratamento principal fazer efeito.
Quando não se chega ao resultado desejado, pode ser necessário utilizar iodo radioativo (I-131). Essa terapia destrói parte da tireoide com segurança, quadro que frequentemente leva ao hipotireoidismo – ou seja, à baixa produção de hormônios tireoidianos. Essa condição, no entanto, pode ser corrigida com a suplementação hormonal permanente.
Em casos mais difíceis, pode ser necessário realizar a tireoidectomia, cirurgia para remoção da tireoide. Isso é mais comum quando a glândula aumenta muito de tamanho, tem nódulos suspeitos e o paciente tem orbitopatia (olhos saltados) severa.
É importante frisar que o melhor médico para consultar quando há suspeita de hipertireoidismo, hipotireoidismo ou doença de Graves é o endocrinologista. Essa especialidade médica tem total domínio dos padrões hormonais do organismo. Eles são, por isso, os mais indicados para diagnosticar e tratar distúrbios relacionados à produção hormonal.
Mais sobre doença de Graves
A doença de Graves tem cura?
Não existe uma cura para a doença de Graves, mas ela pode entrar em remissão. Esse termo designa um período sem atividade da doença por pelo menos um ano após a interrupção dos medicamentos, e acontece em 30% a 70% dos casos.
Há, no entanto, risco de recidiva especialmente em casos nos quais o paciente abandona o tratamento ou não toma a medicação de maneira adequada. A recidiva tende a ocorrer em 30% a 40% dos pacientes no primeiro ano. Sendo assim, essa doença requer acompanhamento regular com um médico endocrinologista.
A doença de Graves pode voltar depois do tratamento?
Sim, há riscos da doença retornar após o tratamento, especialmente após muito tempo desde a interrupção dos medicamentos. Por isso, o paciente deve seguir o tratamento corretamente durante um período que vai de um ano a 18 meses, e manter o acompanhamento médico para avaliar a atividade da doença no corpo.
O uso do iodo radioativo é seguro?
Sim, o uso do iodo radioativo é considerado seguro e eficaz como tratamento de hipertireoidismo na doença de Graves, porém essa nem sempre é a linha terapêutica adotada. O iodo radioativo tende a ser usado em casos nos quais a doença apresenta uma recidiva ou o paciente não pode utilizar as demais terapias disponíveis.
Apesar de seguro, o iodo radioativo costuma provocar hipotireoidismo – ou seja, a baixa produção de hormônios tireoidianos. Sendo assim, o paciente precisa realizar a reposição desses hormônios de forma permanente.
Outro ponto relacionado a essa terapia é a gravidez. Pessoas que pretendem engravidar precisam adiar a gestação por cerca de seis meses após a terapia com iodo para permitir que a tireoide se estabilize. Dessa forma, a gravidez fica mais segura.



