Câncer de Tireoide: Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos Disponíveis
O câncer de tireoide acontece quando células tireoidianas que sofreram mutações passam a se multiplicar replicando essas alterações inadequadas. Isso forma um tumor que pode atrapalhar o funcionamento dessa glândula e, com o passar do tempo, invadir outros tecidos.
Conheça detalhes do câncer de tireoide, seus sintomas, saiba quem está mais sujeito à doença e como é o prognóstico dessa condição de saúde que tem se tornado cada vez mais comum.
Câncer de tireoide: o que é, incidência e mais
O câncer é uma doença causada pela replicação exagerada de células que funcionam de maneira inadequada. Isso se deve a mutações nessas células, que se reproduzem excessivamente formando tumores. No caso do câncer de tireoide, isso acontece nessa glândula localizada no pescoço e responsável por produzir hormônios que regulam o metabolismo.
Tipos de câncer de tireoide
Não existe apenas um tipo de tumor tireoidiano. Conheça abaixo os principais tipos de câncer de tireoide e suas respectivas características.
Doença de Graves
Tipo mais comum, esse carcinoma representa cerca de 80% dos casos de câncer da tireoide. Ele tem como uma das principais características o crescimento lento, algo que aumenta as chances de cura e torna o prognóstico mais favorável.
Carcinoma folicular
Corresponde a cerca de 10% dos casos de câncer de tireoide e também se origina nas células foliculares, mas tem um padrão celular diferente do papilífero quando visto ao microscópio. Além disso, ele tem tendência a invadir vasos sanguíneos.
Sendo assim, ele tem uma tendência maior de desenvolver metástases como nos pulmões ou nos ossos. Apesar disso, ele também tem crescimento lento e prognóstico favorável. Costuma atingir mais frequentemente adultos de meia idade e idosos.
Carcinoma medular
Esse tipo de câncer de tireoide é mais raro e tende a estar associado a síndromes genéticas hereditárias. Ele tem origem nas células C (parafoliculares), responsáveis pela produção da calcitonina, um hormônio envolvido no metabolismo do cálcio. Por esse motivo, os níveis de calcitonina no organismo podem indicar a presença desse carcinoma.
Ele é mais raro que os demais, correspondendo a cerca de 2 a 4% dos casos da doença. Além disso, ele não capta iodo – e, por essa razão, não responde a tratamento com iodo radioativo. Esse câncer é mais agressivo que os outros, e o prognóstico depende do estágio da doença no diagnóstico.
Carcinoma anaplásico
Esse é o tipo mais raro e mais agressivo de câncer na tireoide, representando menos de 2% do total de casos. Ele é mais comum em idosos e, na maior parte dos diagnósticos, já se apresenta em estágio avançado. Ele cresce rapidamente e, por isso, frequentemente invade outras estruturas do pescoço, causando compressão das vias aéreas.
Assim como o tipo anterior, ele não responde ao iodo radioativo. Tem prognóstico pior, com baixas chances de sobrevida mesmo com tratamento intensivo.
Diagnóstico de câncer na tireoide
O diagnóstico dessa doença tende a partir de algum sintoma identificado pelo paciente ou pela investigação precoce por um médico. Isso pode incluir um inchaço na região do pescoço ou alterações nos parâmetros da tireoide, que se apresentam em exames de sangue. A partir disso, é feito o exame físico, onde o profissional – geralmente endocrinologista (médico que cuida da tireoide) – apalpa o pescoço em busca de nódulos.
Na sequência, é possível que o médico ou médica da tireoide peça um exame de imagem. Uma ultrassonografia da tireoide, por exemplo, é capaz de avaliar a presença de nódulos e observar de forma mais detalhada suas características. Essa observação por imagens ajuda a entender se um crescimento na tireoide tem chances de ser maligno ou não.
Diante de uma suspeita forte, o médico pode pedir uma punção aspirativa por agulha fina, também conhecida como PAAF. Essa punção coleta células do nódulo para que se faça uma análise citológica – ou seja, uma avaliação mais cuidadosa das características das células que o compõem.
Nesse processo, exames laboratoriais também podem ser interessantes. Exames de sangue, por exemplo, ajudam a avaliar os níveis dos hormônios tireoidianos, a calcitonina e antígenos específicos. Esses níveis, se alterados, também podem dar pistas sobre um possível diagnóstico de câncer da tireoide.
Por fim, a cintilografia também pode fazer parte do diagnóstico. Isso porque ela avalia a funcionalidade dos nódulos – ou seja, o quão “ativos” estes crescimentos são. Quanto mais funcionantes (ou “quentes”), maiores as chances de haver malignidade. Nódulos não funcionantes (ou “frios”) têm chances menores de ser cancerosos.
Todos esses procedimentos ajudam a determinar se existe um nódulo, qual é a natureza dele e planejar o tratamento adequado.
Sintomas do câncer de tireoide
Os sintomas dessa doença podem variar bastante de paciente para paciente – e, em muitos casos, eles nem aparecem. Em várias pessoas, o câncer de tireoide é assintomático, e tende a ser diagnosticado apenas por acaso após irregularidades em exames de rotina.
Os sintomas conhecidos da doença, inclusive, não são exclusivos de câncer tireoidiano. Eles podem ter relação com outras condições benignas, portanto é importante não se desesperar e buscar a avaliação do médico endocrinologista para um diagnóstico preciso.
Quando presentes, os sintomas dessa condição podem incluir:
Nódulo ou inchaço no pescoço
Esse crescimento é, em geral, indolor, mas pode ser percebido ao toque ou visualmente.
Rouquidão
Quando um tumor afeta estruturas responsáveis pela voz, é possível que o câncer cause alterações nela.
Dificuldade para engolir ou respirar
Dependendo do tamanho ou da localização do tumor na tireoide, ele pode pressionar a traqueia ou o esôfago. Isso causa desconforto ao engolir ou respirar.
Dor no pescoço ou na garganta
Apesar de ser um sintoma menos comum, pode acontecer em estágios mais avançados da doença.
Sintomas do câncer de tireoide
As opções de tratamento para essa doença variam de acordo com diversos fatores. É preciso avaliar, por exemplo, qual o tipo de carcinoma e em qual estágio a doença está, bem como características particulares de cada paciente. Isso porque alguns carcinomas não respondem a alguns tipos de terapias – e alguns pacientes não se beneficiam de outros tipos dado o estado clínico.
Entre as opções de tratamento, estão:
Cirurgia (tireoidectomia)
A remoção parcial ou total da glândula costuma ser a opção de tratamento mais comum e eficaz na maior parte dos casos da doença.
Terapia com iodo radioativo
Após a cirurgia, o paciente é submetido à terapia com iodo radioativo, que se liga às células tireoidianas cancerígenas remanescentes. Isso reduz a chance da doença voltar.
Radioterapia
Essa modalidade é indicada em casos específicos, como quando o câncer não responde ao uso do iodo radioativo.
Terapia hormonal supressiva
Os hormônios tireoidianos são produzidos a partir das “instruções” do TSH, que estimula a glândula. Esse hormônio, porém, também estimula o crescimento das células cancerígenas. Sendo assim, a administração de hormônios tireoidianos sintéticos ajuda a suprimir a produção de TSH, algo que deixa as células cancerígenas sem parte de seu estímulo.
Quimioterapia
Essa modalidade é raramente utilizada, mas pode ser útil em casos avançados da doença ou em situações nas quais o câncer se espalhou para além da tireoide. Consiste em uma droga de ação sistêmica, que afeta o corpo como um todo gerando toxicidade com o objetivo de destruir células cancerígenas onde quer que estejam.
Terapias-alvo e imunoterapia
Quando o câncer de tireoide volta após o tratamento convencional, terapias-alvo e imunoterapias – opções geralmente mais personalizadas – podem ser uma opção. O primeiro tipo usa características específicas do tumor para direcionar melhor o tratamento, enquanto o segundo estimula o sistema imunológico a atacar células cancerígenas.
Prognóstico e riscos do câncer de tireoide
Ainda que seja um câncer, esse tipo da doença costuma ter um prognóstico favorável em comparação com outras. Isso é real especialmente em casos nos quais o tumor é diagnosticado precocemente. As taxas de sobrevida para a maior parte dos tipos de câncer de tireoide (como o papilífero e o folicular) são superiores a 90% mesmo quando existe metástase para os linfonodos próximos.
É preciso frisar que o tipo de tumor, a idade do paciente, as condições clínicas dele e o estágio da doença no momento do diagnóstico são fatores determinantes para o prognóstico. Tumores mais agressivos como o anaplásico, por exemplo, podem ter prognóstico pior dada sua natureza de se desenvolver rapidamente.
Ainda que tenha, em geral, desenvolvimento lento, esse tipo de tumor pode se disseminar para linfonodos cervicais, algo que demanda uma cirurgia mais extensa. Além disso, em casos raros, ele pode causar metástases nos pulmões e nos ossos. Após o tratamento, o câncer de tireoide pode voltar, especialmente quando não é possível retirar totalmente o tumor ou quando o paciente não pode receber o tratamento completo.
Se você desconfia de um nódulo na tireoide ou recebeu o diagnóstico de câncer, entre em contato e agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
Veja também este artigo: Todo nódulo de tireoide é maligno?
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Quais são os primeiros sintomas do câncer de tireoide?
No início, o câncer de tireoide pode ser assintomático. Os primeiros sintomas da doença podem incluir um nódulo ou inchaço no pescoço, perceptível ao toque ou visualmente.
Outros sintomas iniciais podem incluir alterações na voz (rouquidão), dificuldade ou desconforto ao engolir ou respirar e dor no pescoço.
Como o câncer de tireoide é diagnosticado?
O diagnóstico requer uma combinação de exames clínicos e laboratoriais. Ele começa com o médico ou médica de tireoide (endocrinologista) realizando um exame físico do pescoço. Em seguida, o profissional solicita exames de imagem como ultrassonografia e, a depender dos resultados, procedimentos como a PAAF (punção aspirativa por agulha fina).
Além disso, exames de sangue complementares ajudam a avaliar a função tireoidiana e levantar a presença de marcadores tumorais.
Quais são as opções de tratamento para o câncer de tireoide?
As opções de tratamento para câncer da tireoide incluem, em geral, cirurgia para remoção total ou parcial da glândula e terapia com iodo radioativo para eliminar células cancerígenas remanescentes.
Em alguns casos, pode ser necessário fazer terapia hormonal supressiva para evitar o crescimento das células cancerígenas, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapias.
A escolha do tratamento depende do tipo e do estágio do câncer, bem como das características individuais do tumor e do paciente. O acompanhamento contínuo com um endocrinologista é fundamental para o sucesso do tratamento e monitoramento do quadro clínico após o fim dele.



